Objetivo da atividade
Ler com atenção uma crônica do cotidiano e exercitar diferentes níveis de compreensão: localizar informações no texto, fazer inferências (o que o texto deixa subentendido) e analisar criticamente as escolhas do autor e o sentido geral da história. Ao final, você deve perceber como uma cena simples do dia a dia pode revelar uma pequena lição ou reflexão.
Instruções para os alunos
- Leia o texto de apoio duas vezes: a primeira para entender o que acontece, a segunda para reparar nos detalhes.
- Responda às questões no caderno, em frases completas.
- Quando a questão pedir, copie a parte do texto que comprova sua resposta.
- Não há problema em voltar ao texto quantas vezes precisar — releitura faz parte da boa leitura.
Texto de apoio
O guarda-chuva esquecido
Naquela terça-feira, choveu como se o céu tivesse rachado. Dona Cleide, que voltava do mercado com as sacolas pesando nos braços, parou debaixo da marquise da padaria do seu Antônio para esperar a chuva dar uma trégua. Não dava. A água descia das calhas em fios grossos e fazia poças que cresciam como pequenos lagos na calçada.
Foi quando ela reparou no menino. Devia ter uns dez anos, mochila nas costas, encolhido no batente da porta ao lado, olhando a rua com cara de quem calculava a distância até em casa. Estava ensopado até o cabelo.
— Esqueceu o guarda-chuva, foi? — perguntou dona Cleide.
O menino confirmou com a cabeça, meio sem graça. Disse que a mãe tinha avisado de manhã para levar, mas que ele achou que não ia chover. Dona Cleide riu por dentro: quantas vezes ela mesma não tinha feito a mesma aposta e perdido?
Ela tinha um guarda-chuva. Um só, daqueles dobráveis que cabem na bolsa. Pensou nas sacolas, no caminho longo até seu apartamento, no resfriado que rondava havia dias. E pensou também naquela carinha pingando.
— Toma — disse, estendendo o guarda-chuva. — Vai logo, antes que piore.
— Mas e a senhora?
— Eu espero. A padaria não vai a lugar nenhum, e eu também não tenho pressa de pegar gripe debaixo dessa chuvarada.
O menino hesitou, pegou o guarda-chuva, agradeceu três vezes e saiu correndo, pulando as poças. Dona Cleide ficou ali, encostada na vitrine quente da padaria, vendo o pequeno ponto colorido sumir na esquina. Seu Antônio, que tinha visto tudo de dentro, apareceu na porta com um café fumegante numa xícara.
— Por conta da casa — disse ele, sorrindo. — Quem dá guarda-chuva merece um café.
Dona Cleide aceitou. A chuva continuava forte, mas, não sabia bem por quê, ela já não estava mais com tanta pressa de ir embora.
Questões
1. Em que dia da semana e em que situação a história acontece? Copie do texto a frase que descreve como estava a chuva.
2. Por que dona Cleide parou debaixo da marquise da padaria?
3. Releia: "Devia ter uns dez anos, mochila nas costas (...), olhando a rua com cara de quem calculava a distância até em casa." O que essa descrição deixa subentendido sobre o que o menino estava pensando? (Inferência)
4. Por que o menino estava todo molhado, segundo o que ele explica a dona Cleide?
5. Quando o texto diz que dona Cleide "riu por dentro", por que ela achou graça? O que isso revela sobre ela? (Inferência)
6. Antes de oferecer o guarda-chuva, dona Cleide pensa em três coisas que tornariam mais cômodo ficar com ele para si. Quais são essas três coisas? Mesmo assim, qual foi a decisão dela?
7. O que a atitude de seu Antônio (oferecer o café "por conta da casa") demonstra? Que tipo de corrente de gestos a crônica mostra entre as pessoas? (Análise crítica)
8. No final, o texto diz: "a chuva continuava forte, mas (...) ela já não estava mais com tanta pressa de ir embora." Como você explica essa mudança no jeito de dona Cleide se sentir, se a chuva nem tinha parado? (Inferência)
9. A crônica trata de um acontecimento simples do dia a dia, mas sugere uma reflexão maior. Em uma frase, qual é a ideia ou "lição" que a história nos passa? (Análise crítica)
10. Imagine que você é o menino e, ao chegar em casa, conta o que aconteceu para sua mãe. Escreva em três a quatro linhas o que você diria, mantendo coerência com a história. (Produção a partir da leitura)
Gabarito
1. Acontece numa terça-feira, durante uma chuva muito forte, quando dona Cleide voltava do mercado. A frase sobre a chuva é: "choveu como se o céu tivesse rachado" (também são válidas as descrições das calhas e das poças). Comentário: questão de localização — a informação está explícita no primeiro parágrafo.
2. Ela parou para se abrigar e esperar a chuva dar uma trégua, porque estava chovendo muito e ela carregava sacolas pesadas. Comentário: a causa está clara no texto ("parou debaixo da marquise (...) para esperar a chuva dar uma trégua").
3. A descrição sugere que o menino estava pensando em como faria para chegar em casa debaixo daquela chuva, talvez avaliando se valia a pena sair correndo ou continuar esperando. Ele estava preocupado e indeciso. Comentário: a expressão "calculava a distância até em casa" não diz isso com todas as letras, mas permite deduzir.
4. Porque a mãe o avisou de manhã para levar o guarda-chuva, mas ele achou que não ia chover e não o levou. Por isso se molhou. Comentário: localização — está na fala indireta do menino.
5. Ela achou graça porque já tinha feito a mesma aposta (achar que não ia chover e sair sem guarda-chuva) e também tinha se dado mal. Isso revela que ela é uma pessoa compreensiva, que se identifica com o menino em vez de repreendê-lo. Comentário: inferência sobre o caráter da personagem a partir de uma reação interna.
6. As três coisas são: as sacolas pesadas que ela carregava, o caminho longo até o apartamento e o resfriado que a rondava havia dias. Mesmo assim, ela decidiu dar o guarda-chuva ao menino e ficar esperando na padaria. Comentário: localização + percepção do contraste entre o conforto pessoal e a escolha generosa.
7. Demonstra gratidão e reconhecimento pelo gesto bondoso de dona Cleide. A crônica mostra uma corrente de gentileza: ela ajuda o menino, e o dono da padaria, comovido, retribui com um café. Um bom gesto inspira outro. Comentário: análise crítica — espera-se que o aluno perceba o "efeito em cadeia" da bondade.
8. Porque o gesto de ajudar o menino e a gentileza recebida de seu Antônio a deixaram com uma sensação boa, de bem-estar. Esse contentamento fez com que a chuva e a espera deixassem de incomodá-la. A mudança é no sentimento dela, não no tempo. Comentário: inferência sobre o estado emocional; respostas que liguem a sensação boa ao gesto generoso devem ser aceitas.
9. Respostas pessoais, desde que coerentes. Ideia esperada: pequenos gestos de generosidade fazem bem tanto a quem recebe quanto a quem dá; ajudar o outro pode trazer alegria mesmo com sacrifício. Comentário: análise crítica do tema central da crônica.
10. Resposta pessoal. Deve estar em primeira pessoa (como o menino), contar que esqueceu o guarda-chuva, que uma senhora desconhecida o emprestou e que ele chegou em casa seco. Avaliar coerência com o texto, clareza e respeito ao limite de linhas. Comentário: produção a partir da leitura — valoriza a compreensão global da história.