Identificação
- Disciplina: História
- Ano: 9º ano do Ensino Fundamental
- Duração: 50 minutos
- Habilidade BNCC: Identificar e analisar o processo da chamada Era Vargas, problematizando o trabalhismo, o populismo e as relações entre Estado, trabalhadores e direitos sociais no Brasil.
Objetivos de aprendizagem
Ao final da aula, o aluno será capaz de:
- Situar a Era Vargas no tempo (1930-1945) e identificar suas principais fases.
- Explicar o que foi o populismo e como Getúlio Vargas construiu a imagem de "pai dos pobres".
- Reconhecer a importância das leis trabalhistas e relacioná-las à legitimação política do governo.
- Caracterizar o Estado Novo (1937-1945) como um regime autoritário, identificando suas marcas (centralização, censura e culto à figura do líder).
Materiais
- Quadro branco e pincel.
- Linha do tempo impressa ou projetada (1930-1945).
- Cópias do trecho da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e de uma fala de Vargas para os grupos.
- Imagem de um cartaz de propaganda do Estado Novo (DIP) e/ou foto de Vargas em comício do 1º de Maio.
- Caderno para registro das conclusões.
Desenvolvimento
1. Abertura (10 min)
Comece escrevendo no quadro a expressão "pai dos pobres" e pergunte à turma o que ela imagina ao ouvir um governante ser chamado assim. Anote as hipóteses. Em seguida, revele que essa foi uma das formas pelas quais Getúlio Vargas, presidente do Brasil por quinze anos seguidos, ficou conhecido — e provoque:
"Como um único líder consegue ficar tão tempo no poder e ser, ao mesmo tempo, amado por trabalhadores e acusado de autoritário? O que ele oferecia ao povo, e o que ele cobrava em troca?"
Explique que a aula vai investigar exatamente essa relação entre o Estado e os trabalhadores, que está no centro do que chamamos de populismo e trabalhismo.
2. Da Revolução de 1930 ao poder (15 min)
Projete a linha do tempo e contextualize. Vargas chegou ao poder pela Revolução de 1930, que pôs fim à República Velha, dominada pelas oligarquias do café (a chamada política do "café com leite", de São Paulo e Minas Gerais). Apresente, de forma sintética, as fases da Era Vargas:
- Governo Provisório (1930-1934): Vargas governa sem Constituição, concentrando poderes.
- Governo Constitucional (1934-1937): sob a Constituição de 1934, que trouxe avanços como o voto feminino e direitos trabalhistas.
- Estado Novo (1937-1945): ditadura instaurada por um golpe, com a Constituição outorgada de 1937.
Destaque o contexto da época: era um período de crise do liberalismo e ascensão de regimes autoritários no mundo (após a crise de 1929). No Brasil, crescia a industrialização e, com ela, uma massa de trabalhadores urbanos. Pergunte: "Quem ganharia o apoio desses novos trabalhadores das cidades?" — preparando a discussão sobre o trabalhismo.
3. Trabalhismo, leis trabalhistas e populismo (15 min)
Explique o conceito central. Populismo é uma forma de fazer política em que o líder se apresenta como protetor direto do povo, falando "em nome dele" e estabelecendo uma relação pessoal com as massas, muitas vezes sem o intermédio de partidos fortes ou instituições. Vargas foi mestre nisso: aparecia em comícios, falava pelo rádio e era apresentado como amigo dos trabalhadores.
Mas o populismo de Vargas teve uma base concreta: as leis trabalhistas. Durante seu governo foram criados ou consolidados direitos como:
- Carteira de trabalho.
- Jornada de oito horas diárias.
- Salário mínimo (1940).
- Férias e descanso semanal remunerado.
- Justiça do Trabalho.
Em 1943, esses direitos foram reunidos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Distribua a fonte e leia com a turma:
"Art. 1º — Esta Consolidação estabelece as normas que regulam as relações individuais e coletivas de trabalho. [...]" (Consolidação das Leis do Trabalho — CLT, 1943.)
Em seguida, apresente uma fala típica de Vargas dirigida aos trabalhadores:
"Trabalhadores do Brasil! [...] Tudo quanto fiz e tudo quanto ainda hei de fazer é inspirado no desejo de melhorar as vossas condições de vida e de trabalho." (Trecho de discurso de Getúlio Vargas, baseado em seus pronunciamentos do 1º de Maio.)
Promova a análise crítica com perguntas: "Por que essas leis também eram úteis para o próprio Vargas?" Conduza a turma a perceber a relação de troca do trabalhismo: o Estado concedia direitos e, em troca, ganhava a lealdade política dos trabalhadores. Ressalte ainda que muitos desses direitos foram conquistas históricas reivindicadas pelo movimento operário, mas foram apresentados como doações generosas do governante — o que reforçava sua imagem.
4. Fechamento (10 min)
Mostre a imagem da propaganda do Estado Novo e explique seu outro lado: a partir de 1937, Vargas governou em uma ditadura, com o Congresso fechado, partidos extintos, censura à imprensa (controlada pelo Departamento de Imprensa e Propaganda, o DIP) e perseguição a opositores. O mesmo governo que ampliava direitos trabalhistas suprimia direitos políticos.
Proponha uma síntese coletiva no caderno, completando o quadro:
| O que Vargas concedia | O que Vargas retirava |
|---|---|
| (direitos trabalhistas, sociais) | (liberdade política, de imprensa) |
Encerre retomando a pergunta da abertura: o "pai dos pobres" era também o líder de um regime autoritário. Reforce a ideia-chave: o populismo trabalhista combinava conquistas sociais reais com controle político, e é essa ambiguidade que torna a Era Vargas um período tão debatido na história do Brasil.
Atividade para casa
Peça que cada aluno produza um pequeno texto dissertativo de 12 a 15 linhas respondendo à pergunta: "Por que Getúlio Vargas pode ser visto, ao mesmo tempo, como benfeitor dos trabalhadores e como líder autoritário?" O aluno deve usar pelo menos dois exemplos concretos estudados em aula (um de direito concedido e um de medida autoritária) para sustentar seu ponto de vista.
Sugestões para o professor
- Evite reduzir a Era Vargas a "bom" ou "ruim". O objetivo da habilidade é justamente problematizar a ambiguidade entre direitos sociais e autoritarismo.
- Caso a turma tenha familiaridade com o tema, vale mencionar que muitos direitos trabalhistas eram antigas reivindicações operárias, desmontando a ideia de pura "doação" do governo — um ótimo exercício de análise crítica das fontes.
- Se houver recurso de áudio, ouvir um curto trecho de discurso de Vargas pelo rádio ajuda os alunos a perceberem o uso dos meios de comunicação na construção do populismo.
- O tema conecta-se diretamente ao presente: a CLT e a Justiça do Trabalho seguem vigentes. Uma boa ponte é perguntar quais desses direitos os alunos reconhecem na vida de seus familiares trabalhadores.
- Para aprofundar, sugira a pesquisa sobre o fim do Estado Novo em 1945 e o posterior retorno de Vargas à presidência pelo voto em 1951, antecipando conteúdos futuros.