Cabeçalho sugerido
| Nome | Turma | Data | Nota |
|---|---|---|---|
| / / | /10,0 |
Instruções para os alunos
- A prova tem 10 questões, cada uma valendo 1,0 ponto, totalizando 10,0.
- Leia com atenção cada texto (verbal ou não verbal) antes de marcar a alternativa.
- Cada questão tem apenas uma resposta correta.
- No estilo ENEM, as alternativas costumam ser plausíveis: escolha a que melhor se sustenta no texto, e não apenas a que parece "bonita" ou genérica.
- Tempo sugerido: 50 minutos. Marque as respostas com caneta azul ou preta.
Questões da prova
Questão 1 (1,0)
O analfabetismo funcional é a condição da pessoa que, embora saiba decodificar letras e juntar sílabas, não consegue compreender o sentido global de um texto, interpretar instruções ou relacionar informações. Ela lê as palavras, mas não lê o texto. Num mundo saturado de informação, em que decisões cotidianas dependem de entender uma bula, um contrato ou uma notícia, esse tipo de leitor permanece, em parte, excluído.
A ideia central do texto é a de que:
a) saber juntar sílabas é suficiente para a vida em sociedade. b) compreender um texto vai além de decodificar suas palavras. c) o excesso de informação tornou a leitura desnecessária. d) bulas e contratos deveriam ser proibidos por serem difíceis. e) o analfabetismo funcional desapareceu no mundo moderno.
Questão 2 (1,0)
Observe a charge (descrição):
Uma pessoa está sentada diante de uma estante imensa, repleta de livros, mas com os olhos fixos na tela do celular. Na tela, lê-se: "Vídeo: resumo do livro em 60 segundos". Os livros, atrás dela, estão cobertos de poeira.
A crítica expressa pela charge dirige-se ao(à):
a) elogio à praticidade das tecnologias digitais de leitura. b) substituição da leitura aprofundada por consumos rápidos e superficiais de informação. c) defesa de que livros impressos são melhores que celulares. d) incentivo à criação de mais resumos em vídeo. e) demonstração de que ninguém mais possui estantes em casa.
Questão 3 (1,0)
"Quando me dizem que sou contra a tecnologia, respondo que escrevo no computador, pesquiso na internet e converso com meus netos por vídeo. Não sou contra nada disso. Sou a favor de que a gente decida quando usar — em vez de a tela decidir por nós."
O argumento do autor se baseia em:
a) negar qualquer utilidade à tecnologia. b) defender que se abandone o uso de celulares e computadores. c) distinguir o uso consciente da tecnologia da submissão a ela. d) afirmar que idosos não devem usar a internet. e) provar que a tecnologia é sempre prejudicial às pessoas.
Questão 4 (1,0)
Faz tempo que a palavra "amigo" deixou de pedir presença. Hoje se tem amigos que nunca se viu, conversas que nunca se ouviu, lembranças de momentos que nunca se viveu juntos. A tela aproxima o distante e, sem que se perceba, distancia o próximo — aquele que está na mesma sala, do outro lado do silêncio.
A expressão "distancia o próximo — aquele que está na mesma sala, do outro lado do silêncio" constrói seu sentido por meio de:
a) uma comparação entre dois aparelhos diferentes. b) um paradoxo, ao sugerir que a tecnologia afasta quem está perto. c) uma definição técnica do funcionamento das redes sociais. d) uma narrativa cronológica dos fatos do dia. e) uma enumeração de vantagens da vida digital.
Questão 5 (1,0)
Leia a tira (descrição):
Quadro 1: um jovem diz à mãe — "Mãe, vou estudar para a prova!" Quadro 2: ele abre o caderno e o celular ao lado. Quadro 3: a tela mostra três horas depois; o caderno está na mesma página e ele assiste a vídeos. Quadro 4: ele exclama — "Não sei como o tempo passou!"
O efeito de humor da tira nasce do contraste entre:
a) a intenção declarada de estudar e a distração que de fato ocorreu. b) a falta de material escolar e o excesso de tarefas. c) o silêncio da mãe e o barulho do celular. d) a facilidade da prova e a dificuldade do jovem. e) o cansaço do personagem e a vontade de dormir.
Questão 6 (1,0)
Dados de uma pesquisa indicam que o tempo médio de atenção contínua diante de uma única tarefa caiu nas últimas duas décadas. Para alguns especialistas, o hábito de alternar constantemente entre aplicativos treina o cérebro a buscar novidade, e não profundidade.
De acordo com o texto, o hábito de alternar entre aplicativos:
a) aumenta a capacidade de concentração prolongada. b) não tem qualquer efeito sobre a atenção das pessoas. c) pode favorecer a busca por novidade em detrimento da profundidade. d) substitui completamente a necessidade de estudar. e) é recomendado pelos especialistas como bom hábito.
Questão 7 (1,0)
"Li o livro inteiro num fim de semana e, no fim, fechei a última página com aquela sensação boa e triste de quem se despede de um amigo. Nenhum vídeo de sessenta segundos jamais me deu isso."
O autor utiliza a expressão "sensação boa e triste" para:
a) indicar uma contradição que invalida sua opinião. b) expressar a experiência complexa e marcante proporcionada pela leitura aprofundada. c) demonstrar que ler livros é uma atividade desagradável. d) defender que vídeos curtos causam as mesmas emoções. e) afirmar que ele não gostou do final do livro.
Questão 8 (1,0)
Observe os dois textos:
Texto I (cartaz de campanha): "DESLIGUE A TELA. LIGUE-SE AO MUNDO."
Texto II (comentário em rede social): "passo o dia todo no cel e tô achando ótimo, cada um vive como quer 🙂"
A relação entre os dois textos pode ser descrita como de:
a) concordância total entre os pontos de vista. b) complementaridade, pois dizem exatamente a mesma coisa. c) oposição de pontos de vista sobre o uso das telas. d) explicação técnica de como as telas funcionam. e) ausência de qualquer tema em comum.
Questão 9 (1,0)
Não se trata de demonizar a tela nem de idolatrar o livro. Trata-se de equilíbrio. Há tempo para o vídeo rápido que informa e há tempo para a leitura lenta que transforma. O problema não é a ferramenta; é deixar que uma só ferramenta ocupe todos os espaços da nossa atenção.
A tese defendida pelo autor é a de que:
a) a tecnologia deve ser totalmente abandonada. b) o livro é sempre superior a qualquer tela. c) o equilíbrio entre os diferentes meios é o caminho mais sensato. d) vídeos rápidos não servem para nada. e) a leitura lenta é uma perda de tempo.
Questão 10 (1,0)
A palavra "atenção" vem do latim attendere, que significa "esticar-se em direção a algo". Atender é, na origem, voltar-se inteiro para uma coisa. Talvez por isso seja tão difícil hoje: como esticar-se inteiro em direção a algo se estamos, o tempo todo, sendo puxados para todos os lados?
Ao recuperar a origem latina da palavra "atenção", o autor pretende:
a) corrigir um erro gramatical comum na língua portuguesa. b) iluminar o sentido profundo do termo para reforçar sua reflexão sobre a dispersão atual. c) provar que o latim é mais importante que o português. d) ensinar uma regra de ortografia aos leitores. e) demonstrar que a palavra mudou completamente de significado.
Gabarito e critérios de correção
Cada questão vale 1,0 ponto, sem fração. Considere correta apenas a alternativa indicada.
1. B. O texto afirma que decodificar palavras não basta: é preciso compreender o sentido global ("lê as palavras, mas não lê o texto"). As demais distorcem ou contrariam a ideia central. Distratores: A e E contradizem o texto; C e D não são sustentados por ele.
2. B. A charge opõe a estante empoeirada (leitura aprofundada abandonada) ao "resumo em 60 segundos" (consumo rápido), criticando a superficialidade. A não percebe a crítica; C é leitura parcial (o alvo não é o suporte, e sim o modo de ler); D inverte o sentido; E foca num detalhe irrelevante.
3. C. O autor não rejeita a tecnologia (cita que a usa), mas defende decidir quando usá-la — ou seja, uso consciente versus submissão. A, B, D e E atribuem a ele posições que o texto nega.
4. B. Há um paradoxo: a tela "aproxima o distante" e "distancia o próximo". O efeito de sentido está nessa contradição aparente. As demais alternativas nomeiam recursos que não correspondem ao trecho.
5. A. O humor vem do contraste entre a intenção anunciada ("vou estudar") e o que de fato ocorre (três horas de vídeos, caderno parado). As outras descrevem elementos ausentes da tira.
6. C. O texto afirma que alternar entre aplicativos "treina o cérebro a buscar novidade, e não profundidade". A e E contrariam o texto; B nega o efeito descrito; D extrapola.
7. B. "Sensação boa e triste" expressa a experiência rica e marcante da leitura aprofundada, contrastada com o vídeo curto. A confunde complexidade com contradição invalidante; C, D e E contrariam o sentido.
8. C. O cartaz incentiva desligar a tela; o comentário defende o uso intenso e a liberdade individual — pontos de vista opostos. As demais alternativas ignoram esse contraste.
9. C. A tese é explícita: "Trata-se de equilíbrio"; nem demonizar a tela, nem idolatrar o livro. A, B, D e E representam posições extremas que o autor justamente rejeita.
10. B. Recuperar a origem latina (attendere = "esticar-se em direção a algo") serve para aprofundar a reflexão sobre por que é difícil manter a atenção hoje. C e D banalizam a intenção; A e E não correspondem ao propósito do texto.
Orientação de correção: some 1,0 por acerto. Em caso de revisão, observe que o estilo ENEM exige justificativa textual — para discutir uma questão com o aluno, peça que ele aponte no texto a passagem que sustenta a alternativa escolhida.